domingo, 27 de janeiro de 2013

2.5

Minha maior vitória, aquela batalha perdida que não corri. Meus maiores erros foram os que não cometi. Corro mais do que o corpo pode suportar. Já tentei parar... mas minhas pernas não permitem, minhas asas insistem. Não ligo quando dizem ser maiores as tristezas. Não usaram minha medida para mensurar a distância entre as estrelas. Guardo no peito uma constelação. Meu coração é racional e minha razão é pura emoção.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Um História Marginal Contada parte III

Precisa trabalhar. Já tem catorze anos e nessa idade já tem a responsabilidade de ajudar a quitar as contas do lar. Seu irmão mais velho tentou arrumar serviço com carteira assinada. Mas quando pesquisam seu CEP na internet, descartam na hora seu currículo, para conseguir emprego tem que ter endereço específico. Não morar na periferia é pré-requisito. Resolveu averiguar a indicação de um amigo. Disse que pagam bem, por semana é mil e cem, não sendo necessário usar roupa social, não precisa se preocupar com a concordância do plural, não exigem escolaridade, não importa a idade, é perto da sua casa, não perderá horas em condução lotada, tem que ter proatividade e respeitar a hierarquia... era tudo o que queria. Ao dizer sim ao seu chefe, sentiu certo desconforto. Tiros pro alto na quebrada, a boca tem funcionário novo.

continua...

sábado, 5 de janeiro de 2013

Uma História Marginal Contada parte II

Seus maiores medos são seus piores segredos. É jovem e, como todo bom jovem, sonha bastante. Sonhos lindos e intensos como marfins dum elefante. Ser galã de novela ou cantor de funk. Quem sabe jogador de futebol. Todos queremos um lugar ao sol. Por que não um puxadinho na Lua? A mais gata da sala na sua cama toda nua. O tênis da moda, calça e camiseta polo de marca, tudo original. Ir no shopping com amigos comer aquele lanche do comercial. Comemorar o natal com chester e champanhe. Um emprego bom pro seu pai e um vestido novo pra sua mãe. Um convênio médico. Tomar whisky com energético. É tanto querer. Não tem como não ser. Pedir pra desistir é como sugerir pro Usain Bolt parar de correr. Um quarto só seu. Talvez esse moleque também tenha sido eu.

continua...

sábado, 29 de dezembro de 2012

Flor de Lis


A oportunidade que sempre quis
Sorvete de mamão com cassis
Uma angolana como Miss
Um refrescante Gin Fizz
A vitória por um triz
Uma vida feliz
O que você me diz?
Nem lembro mais o que fiz
Pra você gostar de mim assim
Mas graças ao bom Deus eu fiz!

sábado, 15 de dezembro de 2012

Encosta

Faz tempo que saí da escola. Adorava fazer rima e jogar bola. Para o esporte, hoje em dia, o preparo físico não colabora. Sempre tem um refrão ruim na moda. Mais chato que praia com muriçoca. Mal acaba uma, logo aparece uma parcela nova. Quem nunca assistiu dvd pirata comendo pipoca? Toda criança deveria subir num pé de amora. Depois de arrumar namorada, passei a apreciar piadas de sogra. Pra cada velha resposta sempre tem uma pergunta nova. Tracei minha rota. Não me contento com a sua cota nem vou dar meia volta. As pessoas falam muita bosta. Do que você realmente gosta? Quase tudo é lorota. Uma parte de mim agoniza quando você chora. Ontem passei naquela loja, comprei o chocolate que você adora. No fim de tudo, pouca coisa importa. A casa mais confortável é a nossa. A música mais bonita é qualquer uma que te arrepia quando toca. A mesa está posta. Vem logo, não gosto quando você demora. Chegou a tão esperada hora. O holofote às vezes incomoda. Sei exatamente o que fazer agora. Subir no ringue, pedir a proteção de Oxóssi, dobrar a aposta.

sábado, 10 de novembro de 2012

Amenizar...


Acordou embaixo da lua. Limpou as remelas na blusa. Há quatro anos mora na rua. Esse frio é uma tortura. Os movimentos são lentos. É atacado pelos fortes ventos. Sente dor em cada músculo do corpo que dormiu no chão. A roupa, o próprio cobertor. O colchão, uma caixa de papelão. Procura no bolso as moedas do dia anterior. Quer amenizar esse sofrimento. A intenção não é comprar alimento. Precisa de algo para esquecer seu tormento. Anda alguns quarteirões e dobra a esquina. Passa pelo bar, pela quitanda e pára em frente à padaria. Lá de dentro vem o seu fornecedor. As moedas são depositadas nas mãos deste senhor. Em menos de um minuto, já tem para usufruto o tão aguardado produto. O aroma entra pelo nariz e perfuma seu pulmão. O gosto toma conta da boca, impregna na garganta e esquenta o coração. Os olhos se fecham e a feição é de plena satisfação. Pois é... no inverno, nada melhor que um bom café.

sábado, 27 de outubro de 2012

Até Breve

Não quero ler sobre a ciência da felicidade. A verdade nunca caberá num livro. A medicina evolui e também aumenta o povo adoecido. Há muito tempo existe a sociologia e o social continua destruído. A faculdade ensina a vender, não importa o que. O governo facilita a compra do automóvel. O corretor mente para o casal que junta moedas para comprar o primeiro imóvel. A situação anda muita estranha, até o Anderson silva tá andando com segurança. Que saudade tenho de te escrever. Estou pra casar sabia? Você precisa saber! Não quero só fotos em redes sociais pra contar minha vida, quero transformar os fatos em rima e poesia. Hoje fico por aqui, estou indo fazer um orçamento da filmagem do meu casamento. Depois me conta sobre o seu emprego e aquela promessa de aumento. Eu volto com mais tempo. O mundo é nosso, vê se não esquece! Até breve

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Uma História Marginal Contada - parte I

Nasceu na periferia Todo dia ele joga bola descalço na rua de barro Seu lar, amadeirado, deve ter uns  vinte metros quadrados Quando vai pra escola vê aquele pátio gigante, ele corre e corre e corre e só quer correr O espaço é pequeno praquela felicidade tão grande Nem presta atenção naquela voz distante, o inspetor pedindo Para de vadiage! Já tá na hora de entrar pra classe! O menino só corre e sorri, até cansar Entra na sala e vê coisas de que nunca ouviu falar Pede pro professor explicar melhor E o filhodaputa pede pra ele ler o livro,  diz que o texto está explícito O menino não sabe ler Sabe conversar, brincar, xavecar, ser feliz Mas o talento dele não condiz com a expectativa da escola De novo seu pai chora Expulso pela segunda vez no mesmo mês Ainda é moleque, apronta tudo que pode enquanto sua mãe enlouquece Corre pelas ruas alucinado, sem camisa, na chuva e nem fica gripado Futebol, taco, bolinha de gude, fliperama, dama, dominó, peão, ioiô Não devolve o troco do pão pra sua mãe e ainda pede umas moedas pro seu avô Compra um pipa e faz o estirante Sobe a ladeira feliz da vida Dá um nó na rabiola e passa o cortante Seu pai, no bar da esquina, bebe pinga com mel. Ele não tem preocupações e desbica orgulhoso seu pipa no céu.

domingo, 24 de junho de 2012

Vingança

Era um preguiçoso esforçado, um vagabundo trabalhador, gostava de tocar o terror, vestia uma armadura de aço, escondia um grande rancor, chorava ao anoitecer, era muita dor pra esquecer. Uma rasteira traiçoeira o derrubou. Cada um sabe pelo que passou. Cada qual vive a própria história.  Quem enxergará a mesma cor? Sempre será diferente o mesmo sabor. Ninguém entendia o seu raciocínio. Só ele viveu aquele martírio. Se você tem apenas opções ruins, sua melhor escolha ainda será ruim. A vida é assim. Não lhe davam boas opções, não recebia bons palpites. Decidiu, então, alegrar corações tristes. Planejou tudo sozinho. Não teve muitos amigos nos anos de preparação e agonia. No céu escuro via a lua mais bonita. O beco, a vila, tudo estava tranquilo. Passou a noite em claro. Sabia que a notícia causaria estardalhaço. Quem sobrevive à avalanche não desperdiça mais nenhuma chance. Foi na escola do bairro, estava preparado, chamou pela conhecida diretora racista, ela o recebeu com uma alegria cínica, o clima do papo era pesado, ela não tinha saída e ele teria sua vingança, era o grande dia da sua vida, com convicção e confiança, tirou do bolso sua arma rústica, uma caneta preta e assinou a ficha, agora é professor de escola pública, o melhor que poderia.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Feliz Aniversário

Com namorada brava não se discute. Mulher contrariada é tão letal quanto presas de mamute. Subjugar a amada é mais ultrapassado que perfil no orkut. Ela triste é o maior dos meus horrores. Pior que meu Corinthians eliminado na libertadores. E o sorriso dela, tem coisa melhor? Dá mais calor que o Sol de Maceió. Mais gostoso que dançar forró. Melhor que brigadeiro caseiro, com muito leite moça e um bom chocolate em pó. Minha bela, às vezes fera, hoje, completa mais uma primavera. O desejo do estagiário ser efetivado, do peixe beta sair do aquário, do assalariado virar bilionário, nada disso é comparado ao intuito desse meu poema improvisado: Feliz Aniversário!!!

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Soneto para São Paulo

Que calor do caralho aqui em São Paulo
E eu na fila desse prédio abafado
A chuva molha os ternos importados
Incomoda quem dorme sobre o asfalto

Importamos tênis americanos
Mesmo não tendo para onde correr
Compramos celulares coreanos
Mas ligar pra quem vir nos socorrer?

Máquina e animal no ecossistema
"Sempre na correria" esse é meu lema
Ser 100% honesto é meu dilema

Para animar escuto aquele som
Se minha garantia é o meu dom
Ser bonzinho é pouco, tem que ser bom

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Sobre Emprestar Objetos Íntimos

Eles namoram já tem um tempo. Gostam de andar juntos contra o vento. A relação sexual é normal. Só não fazem anal. Ele foi dormir na casa dela, ambos estavam contentes. Mas o pobre rapaz esqueceu de levar a escova de dentes. Pediu emprestada a da sua amada:
   - Não!
   - Hã?
   - Não ué! Que nojo!
   - Acho que você não entendeu, vou pedir de novo...
   - A resposta é não! Não vou te emprestar! Você pode me passar algum micróbio ou coisa maior...
   - Mas você faz coisa tão pior... E vou usar a sua escova na minha boca, o mesmo lugar que uso pra te encher de beijo...
   - Não tem jeito! Isso não se empresta! Deu pra entender?! Nada a ver que a gente faz sexo oral, se quiser faz um gargarejo e passa fio dental!
   Aí ferrou, ele pensou. E a noite não foi como o menino planejou.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

2012

Traz só duas, como a grana tá curta, vai ser na minha goma mesmo o churras. Puxa uma cadeira, sinta-se em casa, ali na mesa tem arroz, feijão, salada... Pode abrir a geladeira! Me traz uma breja, por favor, se tiver quente alguma lata, coloca no congelador, logo mais a gente mata. Parou de beber?
Sabe como é né irmão, o álcool e o cigarro tavam me deixando boladão. Fora que perdi resistência pra fazer aquilo que eu mais gosto nessa vida, a patroa já tava fazendo birra. Ó que delícia esse suco natural de laranja, esse vinagrete também tá da hora! Abre aí roda que eu vou pro samba!

...
  E o clima frio? O clima frio entristeceu nossa canção
Mas jamais apagará... Jamais apagarááá
O que? O que?
O fogo do meu coração! Do meu coração!
Grito bem alto pro mundo inteiro os meus amores!
Chora cavaco bate pandeiro 
Feliz 2012! 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Vem Ni Mim!

É hora da contabilidade desses doze meses. Foram milhões de afazeres. Novos calos, velhos hábitos. Mais forte, menos magro. A aliança de aço escovado cor de prata agora é dourada. Muitas coisas nos fizeram chorar mas nenhum obstáculo alto o suficiente para nos parar, não é verdade? Não preciso aparecer no reality show e escancarar meus tesouros e cicatrizes, os anônimos são os mais felizes. Alguns sonhos viraram realidade. Outros continuam mais distantes que marte. Quero paz de espírito e os prazeres da carne. Vem ni mim fim de ano! Chega de trampo! Agora é muita festa e muito descanso. Vida real não é igual o vídeo game, naquele jogo em que o super-homem só tem olhos para Lex Luthor, ele prefere a Louis Lane. Depois de tantos feriados prolongados não aproveitados... Entendeu ou quer que eu desenhe? Quantos dias de sexo adiados! E 2012 que nos espere... Prospere!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Quarta-Feira

Acordou às cinco e vinte a.m.. Tomou banho e café com creme. Passou cotonete na orelha e no umbigo sem dó. Umbigo peludo junta pó. Como é dia de serviço, vestiu os trajes condizentes. Combinação infernal: roupa social, cidade tropical, calor superior a trinta graus, umidade igual Manaus, até o capeta passaria mal.  Como de costume, passou o desodorante roll on sem perfume. Ao invés de sair de casa no horário, ficou mexendo no Facebook. Chegou atrasado no trabalho. Tentou passar disfarçadamente pelo seu chefe, andando de mansinho, sem fazer alarde. Não deu certo, ao invés de bom dia, todos os seus colegas lhe cumprimentaram com um bem humorado e venenoso Boa tarde! O patrão chamou sua atenção. Ele não liga tanto, sabe que não é irresponsável por chegar tarde de vez em quando. Imprimiu o trabalho da faculdade, viu a escalação do seu time na internet, ligou pro seu vizinho e, pra variar, trabalhou um pouquinho. Foi almoçar, hoje é quarta-feira, dia de feijoada e pagodeira! Ao voltar pra labuta, trabalhou como nunca. Foi à luta! Fez relatórios e depósitos, elaborou planilhas e atendeu às expectativas, fez muitos telefonemas, resolveu problemas, armou táticas, conquistou clientes, odeia matemática, mas para encerrar logo o expediente, calculou aquele imposto... tudo isso porque hoje é dia de jogo! Bateu o cartão, tirou a gravata, dobrou as mangas da camisa e foi pro boteco assistir a partida. Pediu uma cerveja e uma porção de batata frita. Começou! Levantou da cadeira, xingou o juiz, suou de nervoso, torceu o nariz, reclamou do gol anulado, do impedimento não marcado e mesmo assim não teve jeito, seu time foi derrotado. Voltou pra casa arrasado. Perder pro arqui-rival é difícil. Aguentar a zoação dos amigos é terrível, amanhã estarão todos contentes. Por preguiça e ódio, foi dormir sem tomar banho nem escovar os dentes.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Sobre Amor, Crises e a Novela

Amor de novela que não é. Temos nossos desentendimentos. Você faz bico. Eu fico nervoso. Tenho vontade de voar no seu pescoço. Respiro fundo, destruímos o assunto... e passa! Talvez eu comece a praticar alguma arte marcial. Ando muito irritado. É normal? Vivemos um amor da vida real. Temos os problemas profissionais, somados aos problemas pessoais, é problema demais! Temos contas e compromissos. É muita responsabilidade! Nem sempre é possível apertar a tecla pause. E a solução? Não tem roteirista, não é televisão. Não tem trilha sonora e flash back dos tempos de alegria. Aqui não tem Griselda pra ganhar na loteria. Não temos o berço da Sandy nem a estrela do Justin Bieber. O jeito é amadurecer. Perdoar nem sempre é aceitar. Superar também é evoluir. Perdoar e superar, às vezes, é apenas tentar esquecer e seguir. Quando beijamos a lona, todos os erros vem à tona. Lembro o que temos de bom. Dizem que o frio vem conforme o cobertor, então temos um super edredom. A crise é só mais um obstáculo para o nosso amor.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

Cometa

Chegou do trabalho cansada. Se desfez do salto, calça, bolsa e bata. Sempre anda pelada pela casa, mora sozinha. Foi para o banheiro e, antes de tomar banho, tirou e cheirou a calcinha. A água estava gelada e ela ama o calor. Mudou a temperatura batendo no pino do chuveiro com o pote do condicionador. Seu coração é calejado, já apanhou mais que o sparring do Minotauro. Não acredito mais no amor entre homem e mulher, é o que diz pra todo mundo, só pra esconder aquilo que justamente quer. Guarda decepções de um certo alguém. Certos assuntos não compartilha com ninguém. Nunca revelará tudo. Algumas coisas levará para o túmulo. Não é de fazer rodeios. Passou perfume no pescoço, nuca, pulsos e entre os seios. Combinou salto e bolsa. A maquiagem é daquelas que deixaria qualquer drag queem louca. Tão sofisticada quanto ela, só a escolha da sua roupa. Hoje pode finalmente encontrar o seu pote de mel. Arriscar ou não arriscar? A dúvida é sempre a mesma. A resposta vem do céu. Cometa!

domingo, 20 de novembro de 2011

20 de Novembro

Na minha opinião, essa é a melhor trilha sonora para o dia da Consciência Negra.

GOG - Carta À Mãe África


quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Rebeldia

Abriu o facebook. Deu sua opinião sobre a tomada da rocinha e a invasão na USP. Ficou revoltado com uma ou outra opinião oposta. Como alguém pode pensar tanta bosta? Não conta pra ninguém mas se acha o mais inteligente. Vê sua forma de pensar superior, muito mais pra frente. Se todos tivessem o seu raciocínio, o mundo seria bem melhor. Sabe várias frases de efeito, de cor. Já estudou Nietzsche, Foucault, Dostoiévski e Rousseau. Não gosta de homossexuais nem dos seus vizinhos. Odeia samba, capoeira, mulher negra e nordestinos. Se orgulha dos seus teoremas perfeitos. Cada provérbio citado esconde mil defeitos. Tenta salvar o mundo espalhando sua impecável filosofia de vida em redes sociais. Como se fosse um cartaz, em cartolina, tinta guaxe, giz de cera e muito glitter. O resultado é o mesmo do protesto #brasilsemcorrupção no twitter.

(tirinha retirada do http://www.malvados.com.br/)

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Goleiro

Ganho espaço no erro do adversário. Se o jogador for perfeito, o batedor vence o goleiro. Mas para minha sorte ou não, não existe a perfeição. Um erro do atacante é banal. Uma escorregada minha é fatal. Não posso errar como o centroavante matador. Ser comentarista é mais fácil do que ser jogador. No pênalti do opositor, sou a última esperança do torcedor. O primeiro homem do time. Não me subestime. Treino para suportar as quedas do jogo. Minha missão é cair e levantar do chão, o tempo todo. E não deixar nada passar por mim. Do começo até o fim. Nosso ataque não marcou o gol... o inimigo recupera a posse de bola e a conduz pela lateral, o camisa 10 deles é habilidoso, nossos volantes passam mal... o cruzamento é feito na ponta da área, o ponta-esquerda recebe, se livra da zaga e de canhota manda uma pancada... ser goleiro é minha arte, essa já está nas minhas mãos, armem o contra-ataque!

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Essa Mulher...

Não sei se é a roupa
Gosto mais que leite moça
Pode ser o corpo escultural
Mais gostoso que nescau
Talvez a voz dela
Não troco por nutella
Ou seu grande saber
Melhor que ferrero rocher
O que tem essa mulher?
Parece que foi esculpida
Numa barra de suflair


domingo, 30 de outubro de 2011

Ser Par

Quero uma casa e constituir minha família. Andar de mãos dadas, rindo e tomando sorvete de baunilha. Quero passar horas escolhendo nossa mobília, anotando tudo numa caderneta, destacando os preferidos com caneta azul e, de vermelha, os preços mais acessíveis. Temos que discutir sobre nossos filhos, você tem umas idéias horríveis de nome. Sei quando está nervosa, não me manda beijo ao se despedir pelo telefone. Sei que não gosta das minhas roupas da fase esqueitista nem do meu bermudão jeans, muito menos das camisas do Corinthians e afins. Desentendimentos, leões e dragões são favas contadas, faz parte do nosso conto de fadas. Alcançamos muitas coisas e muito ainda há de se conquistar. Todos somos ímpares... mas como é gostoso ser par.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Dicionário do Míope: Convicção

É quando, mesmo usando todas as palavras existentes, com o máximo de combinações possíveis, nenhuma frase formada é capaz de te parar.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Antepenúltimo

Nem todo desejo é um direito. Liberdade também é ter respeito. O mais prático nem sempre é o certo. Ir pelo caminho mais rápido na maioria das vezes não é o ato mais esperto. Milhares de automóveis indo para o mesmo local com muitas poltronas vagas. Todas as televisões ligadas no mesmo canal, cada uma num cômodo diferente da mesma casa. Uma balada, algumas bebidas, pessoas sem alegrias forçam sorrisos falsos. Não quero só álcool, eu busco algo. Quando você mira alto, mesmo errando o alvo, você ainda acerta alto. A intenção é pura, a auto-ajuda é uma fonte que não responde mais às nossas perguntas. Mesmo que meu modo de pensar seja rústico. Vivo cada dia como se fosse o antepenúltimo. Se fosse o último, seria muito triste, a minha esperança ainda resiste.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Receita da Caipirinha do Míope


 - Corte um limão taití na metade. Não seja dominado pela vaidade.
 - Retire aquela parte branca do meio. Mulher de verdade tem que ter recheio.
 - Corte cada metade em três gomos. Como somos idiotas quando tentamos ser algo que não somos.
 - Jogue as fatias na coqueteleira. Timidez é besteira.
 - Adicione duas colheres de mel. Aprenda a admirar o céu.
 - Macere levemente apenas três fatias do limão. Expresse pessoalmente a sua admiração.
 - Adicione 60 ml de uma cachaça da boa. Falar a verdade não enjoa.
 - Coloque um copo de gelo. Quem aprecia tem zelo.
 - Bata tudo na coqueteleira com muito vigor. Ninguém morre de amor.
 - Despeje tudo em um copo (o mesmo da medida do gelo) apropriado para a bebida. Enfeite o copo com um canudo e deixe as fatias inteiras nas bordas ou por cima. Está pronta para servir, caipirinha batida com filosofia.

sábado, 24 de setembro de 2011

Sonhadores

quem vive no meio dela, sonha com o fim da guerra, quando falamos de vidas, qualquer baixa já ultrapassou todos os limites, não existe solução simples, quanto mais eu luto, mais luto, mais ódio sinto, mais forte fico e, contudo, mais pacífico, o melhor e mais forte guerreiro é aquele que menos deseja o conflito, a saída talvez seja a anistia, mesmo sendo difícil acalentar tantas vítimas, mesmo sendo impossível esquecer tantas injustiças, a bandeira branca será um alívio, sem vencedor, muito menos o vencido, um futuro melhor pede esse sacrifício, penso nisso quando bate a vontade de ter um filho, aceito o ofício, espalhar esse sonho, é o que proponho, um brinde, sem ataque nem revide, levanto a taça da paz, às nossas alegrias, nossas dores e a nós, os sonhadores.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Aperta o Pause!

De novo essa bagunça. Eu tenho que ser forte, cada dia mais, mais do que nunca. Não tenho descanso. Sempre lutando. Cair faz parte. E o prêmio de uma batalha? Estar mais confiante para o próximo combate, a guerra nunca acaba... Aperta o pause! Vamos fazer aquela nossa viagem? Ficar num quarto de hotel, com uma janela bem grande, que dê pra uma linda paisagem. Café da manhã com muita variedade. Passear de mãos dadas à vontade. Comer naquele restaurante da nova cidade, onde o aconchego e qualidade estão na sua simplicidade. E no final de tarde, depois da hidromassagem, lascas de chocolate, chantili, eu e você, numa cama king size. Heim?

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Vaso de Barro

Conheço o meu valor, só que as vezes esqueço. Como você não me lembrou, tive que lembrar sozinho mesmo. Não venha me falar que eu não sei o quanto é difícil, isso já sei de cor. Se for pra ajudar, em vez de lamentar, tente alguma coisa melhor. Dizer o que eu já sei é muito pouco, quero ver quem vai ajudar a carregar tijolo. Enquanto pessoas julgam o inimigo, eu projeto meu futuro. Antes só corria atrás do prejuízo, agora ocupo o tempo com meu lucro. Sinto falta da infância e suas regalias. Mas escolher o próprio caminho, com a sabedoria adquirida da vida, me deixa cheio de alegria. Não sou vidente, o amanhã não é evidente, o que me deixa mais contente: está nas minhas mãos o presente. E vou moldá-lo, com muito afinco, igual um vaso de barro, vou deixá-lo lindo. Não tenho todos os talentos que admiro, porém os que possuo me mantêm vivo. Vivo e evoluindo, cada dia mais um pouco, um escultor cada obra mais habilidoso.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

24 anos

Sempre ouvi músicas e li poesias que falam de sentimentos que nunca senti. Com o passar do tempo vivi muitas delas e até arrisco a rimar sobre o que eu vi. Hoje fico mais velho um ano. Quero a eternidade para tudo que amo. Minha estatura já não muda tem um tempo. Mas meu pensamento alcança alturas que dá até entorpecimento. Ainda não aprendi a dobrar camiseta. Uso o mesmo garfo para a comida e a sobremesa. Prefiro motel do que bordel. Não busco mais meu lugar ao sol, construí meu sobrado na lua. Sempre esqueço de esticar o lençol, minha prioridade nessa hora é diferente da sua. Fazer o que se tenho mais talento para bagunçar a cama do que para arrumar? Quem nunca deu um passo maior que a perna não sabe correr. Quem nunca mergulhou de cabeça num abismo não aprendeu a voar.
Cavalo alado
Indomável
Não tenho jeito
Eu vou fazer o que eu nasci pra fazer
Correr
Voar